DIAGNÓSTICO TARDIO EM ADULTOS: IMPACTOS PSICOSSOCIAIS, RESSIGNIFICAÇÃO IDENTITÁRIA E NEURODIVERSIDADE

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Claudia Mara Gracelli

Resumo

Este artigo examina os impactos psicossociais do diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos, com ênfase nos processos de camuflagem social (masking), esgotamento autista (autistic burnout) e ressignificação identitária pós-diagnóstico. Por meio de uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, foram selecionados dezoito artigos publicados entre 2014 e 2026 que abordam especificamente a população adulta e as consequências psicossociais do diagnóstico tardio. Os resultados indicam que adultos sem diagnóstico precoce desenvolvem estratégias complexas de camuflagem social que, embora permitam a adaptação a ambientes neurotípicos, impõem um custo cognitivo e emocional desproporcional, culminando no esgotamento autista, um estado de exaustão física e mental profunda. Esse quadro é frequentemente confundido com depressão clínica ou transtornos de ansiedade, resultando em tratamentos ineficazes e iatrogênicos. A ausência de diagnóstico também favorece o surgimento de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade, depressão e transtornos alimentares, e comorbidades físicas, incluindo distúrbios gastrointestinais e do sono. Por outro lado, a confirmação clínica na vida adulta atua como um marco terapêutico e identitário, permitindo a reinterpretação de trajetórias marcadas por fracassos e incompreensão, e substituindo a autoculpabilização pela compreensão da diferença neurológica. O estudo se apoia nos princípios da neurodiversidade para argumentar que o diagnóstico tardio não deve ser visto apenas como uma falha do sistema de saúde, mas como uma oportunidade de reparação histórica e de promoção de autonomia. Conclui-se pela urgência de políticas públicas específicas para o autista adulto, da capacitação profissional para identificação do masking e da criação de redes de suporte multidisciplinar pós-diagnóstico que considerem as especificidades do fenótipo adulto e as dimensões interseccionais de gênero e raça.

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Como Citar
GRACELLI, C. M. DIAGNÓSTICO TARDIO EM ADULTOS: IMPACTOS PSICOSSOCIAIS, RESSIGNIFICAÇÃO IDENTITÁRIA E NEURODIVERSIDADE. Revista Eletrônica Multidisciplinar de Investigação Científica, Brasil, v. 5, n. 24, 2026. DOI: 10.47402/remici.v5n24252526. Disponível em: https://remici.com.br/index.php/revista/article/view/1034. Acesso em: 21 out. 2026.
Seção
Artigos

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