INTERFACE ENTRE NEUROCIÊNCIA E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA NO TRATAMENTO DE INDIVÍDUOS COM TEA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
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Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits na comunicação social e comportamentos restritos e repetitivos, cuja prevalência global continua crescendo. A Análise do Comportamento Aplicada/Applied Behavior Analysis (ABA) consolidou-se como intervenção de referência, com o mais alto nível de evidência científica para o tratamento do TEA. Paralelamente, a neurociência tem avançado na compreensão das bases biológicas e dos mecanismos de plasticidade cerebral que sustentam essas intervenções. Este artigo realiza uma revisão bibliográfica qualitativa sobre a interface entre neurociência e ABA, investigando como as modificações ambientais propostas pela ABA promovem alterações estruturais e funcionais no sistema nervoso central de indivíduos com TEA. A coleta de dados foi realizada nas bases PubMed, Scielo e Google Acadêmico, com recorte temporal de 2000 a 2025, priorizando meta-análises, revisões sistemáticas e estudos experimentais que correlacionassem intervenções comportamentais com biomarcadores e dados de neuroimagem. Os resultados indicam que a intervenção precoce e intensiva baseada em ABA aproveita janelas críticas de neuroplasticidade, estimulando processos como potenciação de longa duração/Long-Term Potentiation (LTP), mielinização atividade-dependente e sinaptogênese mediada por fatores neurotróficos. Estudos de neuroimagem funcional demonstram que crianças submetidas a protocolos ABA apresentam normalização da atividade cerebral em tarefas de processamento social, com aumento da coativação entre áreas de linguagem e cognição social. A análise sugere que a integração entre neurociência e ABA fortalece a base teórica das práticas clínicas, valida a eficácia da intervenção sob um olhar neurobiológico e abre caminho para tratamentos mais individualizados, baseados em biomarcadores preditivos de resposta.
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